Não faz muito tempo que esteve aqui. Tinha o mesmo olhar, ostentava uma força admirável.
Tinha o sorriso tão delicado, tão tímido ... tinha medo de sorrir. Quando sorria, mostrava sua essência, tão pura !! O mundo não pedira coisa assim.
Tinha que esconder, e escondia ... Fingia muito bem. Lhe ensinaram assim !!
A primeira vez que entrou ali arfava desesperadamente, podia sentir sua respiração longe. Parecia ter medo de perder o ar que à cercava. De morena, à índia ficou branca de tão pálida. Ora pois, tinha suas razões. " O mundo todo é hostil ... "
Fazia de sua necessidade sua força, por mais que cambaleassem as pernas grossas, lá ia ela, tão mal julgada, tão mal compreendida.
Gostava de sentar-se final de noite a beira do lago, trançava distraidamente seus cabelos lisos, distraia-lhe os problemas !! E por ali passava horas ...
Lembrava dos contos do nego velho que tanto a lhe encantou quando criança.
Não era padronizada, não se encaixava em nada que ali existia. Não era cristã, vestia trapos emendados, não manipulava com destreza outras línguas, mal falava um bom português, estava sempre descalça, parecia gostar de sentir a terra se entranhar em seus pés. Ainda assim ofuscava qualquer outra donzela que por ela passasse.
E assim seguia, todos os dias ... E com ela, ia todo meu ardente ansejo, mesclado ao medo, que eu guardava em segredo.
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