Cambaleando, respira fundo, afunda no banco e toma seu ultimo gole.
Tosse, e junto com o ardor do formigamento da bebida, escorre toda sua mágoa.
Ah, vai doer - Pensou ela.
Fitou com veemência o chão da cozinha. Por um instante julguei ser consequência da bebida mas,
logo percebi que seus olhos brilhavam, exalavam uma delicada nostalgia.
Ah - Suspirei, enquanto a admirava fitar um passado de belezas não tão distantes.
E não tardou, a primeira lágrima dos olhos da Mulher, um pouco menina, escorrer por seu rosto.
E como bocejo, instigante como é, choramos. Debruçados em um rio de lágrimas que não fazia menção de secar, e que a esmo era tão confortante. Afagou, aliviou.
Agora, eramos dois, fitando com veemência um futuro utópico, distantes em paralelos sonhos.
Sonhando acordados, sonhos jamais sonhados. Vivendo dormindo, em uma realidade tão dolorosa.
De longe ouvia-se o folk do vizinho, entrando pelo canteiro, trazido pelos ventos frios do Outono.
E apesar de tamanha contrariedade, acreditava na esperança.
Por fim, levantou-se cambaleando, levantou o copo em menção de voltar a afundar-se nele.
Exitou, abriu um quase imperceptível sorriso, deu-me um beijo de '' tudo vai ficar bem '' e virou-se.
Continuei fitando se afastar. Admirei o chão da cozinha por mais um segundo.
Aspirei todo o ar possível, como se fosse o ultimo da minha vida. E no ato mais corajoso do dia
Levantei e corri. Talvez nunca alcancemos e fracassemos, mas nunca desistimos.
Com amor, para o meu fardo !!!
Eu-lírico não identificado.
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